Tendências do Mercado de Computação Gráfica 3D

A área da Computação Gráfica tridimensional está passando atualmente por uma enorme revolução, que envolve não somente mudanças significativas na tecnologia empregada em sua produção, mas também em fatores dependentes dela, como dispositivos, técnicas e conteúdo.

Tecnologia
A Estereoscopia, palavra formada pela junção dos termos gregos stereo, relativo a duplicidade, e scopos, relativo a visão, é um fenômeno natural que ocorre na observação de uma cena pelos olhos humanos. Nossos olhos funcionam como duas câmeras que captam imagens distintas – uma vez que há uma diferença de posicionamento entre eles – e a fusão dessas imagens ocorre em nosso cérebro. Portanto, tudo o que enxergamos de fato e como enxergamos é fruto da percepção do nosso cérebro e não da captação dos nossos olhos.

O chamado 3D Esteroscópico é uma tecnologia antiga, que evoluiu ao longo dos anos, e aproveita-se do fenômeno da Estereoscopia para enganar nosso cérebro. O primeiro estereoscópio surgiu em 1833 e utilizava um jogo de lentes e espelhos para simular imagens tridimensionais a partir de desenhos e fotos. Desde então, diversas adaptações dessa tecnologia foram desenvolvidas, principalmente para o cinema, como o uso de óculos anáglifos, com uma lente azul e outra vermelha, fazendo com que cada olho perceba uma imagem diferente: o olho coberto pela lente azul percebe apenas as imagens avermelhadas e o olho coberto pela lente vermelha percebe apenas as imagens azuladas.

Porém, principalmente através do lançamento do filme Avatar no final do ano passado, uma nova adaptação do 3D Estereoscópico foi amplamente difundida e aceita: o uso de óculos polarizados, onde cada lente permite apenas a passagem de uma imagem (luz) polarizada , separando uma imagem para o olho direito e outra imagem para o olho esquerdo, deixando novamente para o cérebro a tarefa de combinar essas imagens e “iludir-se”, formando imagens com profundidade, ou seja, tridimensionais.

Mas o novo 3D Estereoscópico não deve restringir-se ao cinema. Já foram lançados televisores que fazem uso tessa tecnologia e outros dispositivos com suporte ao 3D Estereoscópico devem surgir nos próximos meses.

Dispositivos
Nos televisores e monitores “3D-ready” já lançados, a imagem estereoscópica somente pode ser obtida com o auxílio de óculos obturadores (shutterglasses), que também polarizam a luz, porém através do sequenciamento de frames (120 frames por segundo) alternados. Cada uma das lentes recebe do aparelho “ordens” para piscar alternadamente, levando a cada olho imagens difetentes. Neste caso, há a necessidade de uma conexão (com ou sem fio) dos óculos com o aparelho televisor.

Entretanto, para dispositivos móveis, como celulares e consoles de video-game portáteis, o uso dos óculos torna-se inconveniente. Nestes casos, ao invés dos óculos, tem-se adotado uma tela lenticular que possui ranhuras semi-cilíndricas que se encarregam de direcionar as imagens para cada olho.

É muito provável que os tablets, computadores pessoais em forma de pranchetas, como o iPad da Apple, também adotem o uso de telas lenticulares em breve para reproduzir conteúdo em 3D Estereoscópico sem a necessidade do uso dos óculos polarizados ou obturadores.

Técnica
O que pode tornar o uso de dispositivos portáteis com 3D Estereoscópico ainda mais interessante é a adoção de uma técnica que envolve recursos que utilizam a visão computacional, através da captura de imagens por uma câmera, a computação gráfica, com objetos criados em softwares específicos para modelagem e animação tridimensional, e elementos característicos de realidade virtual, como são as próprias telas lenticulares, ou os óculos obturadores. Trata-se da Realidade Aumentada.

Nos novos dispositivos portáteis – smartphones, tablets e consoles de games –, o uso da Realidade Aumentada permitirá, cada vez mais, a integração do mundo real com elementos virtuais, dados computacionais e georreferenciados (GPS).

Conteúdo
Através da Realidade Aumentada um usuário com um dispositivo portátil com câmera pode, por exemplo, apontá-lo para um campo de futebol com uma partida em andamento e ver o placar em 3D e estatísticas sobre o rendimento dos jogadores na partida. Ou receber informações sobre a localização exata de agências bancárias próximas, com renderizações fidedignas e em tempo real dos prédios de cada agência. Ou, ainda, ler um livro interativo, com animações saltando da tela.

Tratam-se de exemplos simples diante da enorme potencialidade trazida pela tecnologia do 3D Estereoscópico somada à mobilidade e dinamicidade oferecida pelos novos dispositivos portáteis e amplificada pela Realidade Aumentada. E tudo isso pode ficar ainda mais interessante se adicionarmos reconhecimento de voz e sensores de movimento para realizar as interações entre os usuários e os dispositivos.

Portanto, há um novo mundo à espera de pessoas dispostas a criá-lo e, talvez, você seja uma delas.

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~ por AlphaBrother em 30/06/2010.

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